Quem foi adolescente nos anos 80 ainda deve lembrar da seguinte frase: “Consegui uma sueca!”. As minhas eu costumava esconder em meio aos livros escolares e, eventualmente, alguma delas caía nas mãos das autoridades colegiais, trazendo à trama internacional muito mais emoção do que eu pretendia agüentar.
O fato é que as revistas suecas eram o uó. Ponto.
Ninguém entendia mais de pornografia do que os produtores de revistas suecas.
Fãs “intelectualizados” argumentavam que eles eram os mestres da direção de cena, da arte e também da fotografia. Para todos os outros, eles eram apenas os mestres na pornografia. E isso bastava.
Aprendendo com os mestres
Atualmente, desconheço qual é a grande escola em vigor em termos de pornografia. Parece-me que o mercado andou nos últimos anos desenvolvendo um nicho com filmes estrelados por celebridades, muitas delas na curva descendente da carreira.
Não sei ao certo se os atuais diretores aprenderam algo com os suecos, porém posso afirmar com convicção que o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco Central Japonês e o Banco Central Inglês não beberam dessa fonte.
A Suécia teve uma grave crise bancária no começo dos anos 90. O problema, para variar, deu-se através de uma bolha no mercado imobiliário e também no de ações, cuja valorização excessiva iniciou-se ainda na década de 80. O estouro final, em 1992, foi concentrado numa classe de empréstimos que se equivaleria ao subprime de hoje: os chamados marknadsbevis.
Como resultado da alavancagem excessiva diante do colapso dos preços, dívidas tornaram-se impagáveis e uma série de instituições bancárias foi à lona.
A resposta estatal foi imediata e ainda em 92 o governo sueco assumiu garantias e bancou os depósitos existentes. Ao mesmo tempo, exigiu dos bancos que liquidassem os ativos podres e que se colocassem numa posição de recapitalização. Aqueles que não pudessem se reerguer seriam nacionalizados.
Os acionistas das instituições assimiladas pelo Estado perderam todo seu investimento. Obviamente, não por culpa do Estado, pois os bancos já estavam quebrados antes mesmo da nacionalização. Porém, ao contrário dos atuais programas de resgate de bancos, no plano sueco o contribuinte foi preservado e o custo de saneamento do sistema financeiro terminou custando cerca de 2% do PIB do país (para efeitos de comparação, estimativas oficiais recentes calculam que o TARP americano poderá custar até 25% do PIB Americano). E o governo da Suécia não só recuperou o dinheiro investido, como ainda obteve lucro na venda das instituições sanadas.
Bailout no vocabulário presente dos bancos centrais: é um estupro, mas para o seu próprio bem
Aquele que procurar informações sobre a atual crise financeira, pouco material irá encontrar relacionado à Suécia.
Ao agir em prol do contribuinte e contra a tomada de risco irresponsável por parte do setor bancário, o governo passou aos agentes financeiros a seguinte mensagem: não esperem que as suas fraudes caiam na nossa conta.
Os banqueiros suecos sabem, desde então, que irão colher apenas o resultado das suas práticas na hora de fechar os balanços. Como em qualquer empreendimento de livre mercado, o êxito é remunerado; o insucesso, dificilmente.
Tal lição não foi recebida, por exemplo, pelos bancos americanos no começo dos anos 80, quando se viram enrascados com uma montanha de débitos impagáveis de países latinos – o nosso Braziu, dentre eles. Também não receberam a conta quando da S&L Crisis, no começo dos anos 90. Menos ainda no atual episódio.
Como resultado, estão não só mantendo a média de realizar uma crise por década, como também aprimoram-se no decorrer delas, envolvendo quantias cada vez maiores – alcançando, inclusive, marcas trilhonárias no atual remix.
Os reguladores, sempre mais atrasados do que coice de porco, seguem defendendo mais do mesmo:
- Um fundo de resgate maior;
- Mais recursos através de bailouts e outros programas fraudulentos (de preferência com fundos ilimitados);
- Manter a liberdade para que os bancos “inovem” na criação de “produtos” fraudulentos, cujos prejuízos ficarão para o contribuinte pagar.
A única coisa que irá prevenir a repetição desse tipo de fraude financeira é a única solução que não está sendo cogitada: dar a Cesar o que é de Cesar, e aos bancos o que é dos bancos. Lucros privados se mantêm privados, prejuízos idem.
Para prevenir futuras crises, basta seguir o modelo sueco: garantir os depósitos dos contribuintes, desde que o dinheiro só saia em troca do controle, com a abertura de processos contra os responsáveis pela baderna.

O exemplo sueco é bom e sem sacanagem.
O modelo do FED, do BOE, do ECB e do BOJ, uma putaria sem fim.
Daquelas não consentidas.


Mestre SAMOA:
como um dos seus mais silentes e talvez um dos mais ardorosos torcedores pelo sucesso deste espaco – mais uma praia limpa e fecunda no panorama analitico-marketiano de Pindo^ – me senti EXCLUIDO deste poste, po^!… e os adolescentes dos anos 60, k-cild’s???!!!… acuma a gente ficam?
aguia
Caro amigo aquilino,
Peço desculpas, mas desconheço mais detalhes sobre quais eram as fontes desse tipo de diversão saudável nos anos 60.
Deve ter sido uma aventura encontrar tal material depois do taking over de 64.
hehehe
Se não for pedir demais, nos conte um pouco mais sobre isso.
Sds!
Samuel, e o lance do Governo receber ações dos bancos em troca? Outra coisa que não entendo nessa teoria pra resolver o problema.. se na prática os bancos estão pisando no freio de empréstimos mesmo com toda essa ajuda, e se não houvesse ajuda alguma e deixasse tudo quebrar? Não estou questionando moralidade, que parece ser o centro desse tipo de crítica ao que está sendo feito, ao FED e etc.. e sim funcionalidade.
Abraço
Mario,
1.
As ações que o Paulson comprou por US$ 120 bilhões e que custavam US$ 70 bilhões a preços de Nyse? E que agora serão trocadas pelo tipo de papel que perde tudo se o banco falir? Os papéis precisam agora multiplicar por 10 só para atingir o valor inflado que foram pagos. Então não vejo como isso possa garantir algum upside para o contribuinte, ainda mais porque desde o começo foram negociadas apenas em benefícios dos bancos.
2.
Se não houvesse alguma ajuda, e tudo quebrar?
Já estava quebrado. O modelo é quebrado em essência, pois os bancos fazem empréstimos que não serão pagos e criam produtos financeiros que não valem nada só porque sabem que no fim o governo intercede e livra a cara deles.
O único meio de remediar é prevenir e punir.
Assim que terminar essa encrenca, pode marcar no calendário: em menos de 10 anos vai ter outra.
3.
E outro dado, esse em termos de funcionalidade: quem está sendo livrado é apenas o setor financeiro. O setor produtivo, que teria condições de tirar a economia do buraco no longo prazo, vai acabar pagando o pato dos bailouts com impostos e regulações imbecis.
4.
Bancos não estão emprestando por que estão lascados, na verdade estão segurando toda a grana que receberam dos bailouts em excesso de capital, mais de 700 bilhões – e desde o ano passado o FED está pagando juro nessa grana. Além disso, não há motivo para emprestar dinheiro no mercado com taxa de desemprego e de inadimplência subindo.
5.
Os atos que tu mencionaste são os mesmos que não funcionaram na Grande Depressão e também não funcionaram no Japão da década de 90. Logo, não sei qual é o raciocínio que dê base para pensar que irão funcionar agora (sugiro que dê uma lida nesse tópico: http://www.viesfinanceiro.com/?p=1295).
Realmente não entendo como alguém pode ver funcionalidade nas ações do FED, Mario, se tu enxergar alguma, por favor me diga onde ela está.
hehe
Sds!
Mario, do próprio relatório elaborado em Washington sobre a ‘funcionalidade’ do TARP:
– Improving Metrics (Good Signs)
Credit Default Swap Spreads
LIBOR – OIS Spread
TED Spread
– Worsening Metrics (Bad Signs)
Mortgage Foreclosures / Defaults / Delinquencies
Corporate Bond Spreads
Housing Prices
Commercial Real Estate Commitments
Commercial Paper Outstanding
Security Repurchase Agreements
Household / Business Debt Growth
Overall Loan Originations
Overall Loan Balances
Mortgage Rate Spread
Mortgage Originations
11 a 3 é um pouco demais para falar em funcionalidade.
hehe
O placar só vira se colocarem nas métricas de ‘sucesso’ todos os pontos em que os bancos foram beneficiados de maneira fraudulenta.
Samuel, vamos lá.
1. Isso só o tempo vai dizer se vão inflar ou não. Certamente haverá uma parte das perdas que será absorvida pelo governo americano.
2.quando digo quebrar não digo quebrar oque ja estava quebrado no caso do Lehman Brothers ou Bear Sterns.. quando digo quebrar quero dizer trava total do sistema. Existem muitas empresas que necessitam de empréstimos, e se eles simplesmente não ocorrem, zero, nada… as chances de uma quebra generalizada da cadeia produtiva aumenta.
3.Como eu disse acima, o Governo está sendo uma “mãe” pros bancos, mas está ajudando por tabela o setor produtivo, pois sem um mínimo crédito, não tem produção praticamente. Não estou falando deste crédito a torto e direito.
4.” Além disso, não há motivo para emprestar dinheiro no mercado com taxa de desemprego e de inadimplência subindo.”
Como assim, quer dizer que pelo fato inadimplencia e desemprego subindo o produtor rural não precisa de crédito agricola pra comprar maquinas ou sementes? Como assim?
5.Com relação à comparação, todo material que eu li a respeito, falam que na grande depressão, foram tomadas medidas de restrição de crédito e outras que são exatamente o oposto das tomadas agora.
Por fim, na minha modesta opinião, não existe solução milagrosa para o caso. Haverá perda, haverá desemprego, situação dificil, imposto alto e tudo mais… mas não se fala mais em depressão. Isso, na minha opinião ja é uma mostra de funcionalidade mais importante do que mil tópicos de relatorios burocraticos, ou deixar o pau torar de vez (mesmo que “sem querer”) como ocorreu na grande depressão ou no japão.
Sds,
1. O modo como o negócio foi feito não garante nenhum retorno para o contribuinte. Pensar o contrário é acreditar em magia financeira. Além disso, as perdas não serão absorvidas pelo governo, e sim pelo contribuinte.
2. Se as regras atuais (alteração de mark-to-market para mark-to-magic) vigorassem ano passado, nem BSC e nem LEH precisariam ter quebrado. O Goldman Sachs, por exemplo, está em situação muito pior e segue ‘vivo’.
O sistema não irá travar. Se esses bancos saírem de cena, outros financiadores aparecerão. É assim que funciona o livre mercado: oferta e procura.
Além disso, se o governo diminuir a demanda por financiamento para livrar a cara dos bancos, irá sobrar mais dinheiro privado para ser investido diretamente em outros projetos de financiamento. Desde que eles sejam atraentes para o investidor privado.
Então, não entendo o motivo desse medo todo que prega que se os bancos falidos falirem será o final do mundo. Não foi o fim dos tempos em 1819, nem em 1838, muito menos em 1848, 1907, ou 1929. Por quê seria agora?
3. A sua tese não explica a ajuda ao setor produtivo sob nenhum aspecto.
É só avaliar a forte contração no crédito que está ocorrendo desde que a crise iniciou.
E também não explica os 700 bilhões que os bancos estão deixando parados em excesso de reserva junto ao FED.
4. Negócio não é caridade. Qualquer atividade sólida de financiamento envolve uma análise prévia (capacidade de quitação) bem como garantias e uma taxa de juro adequada.
Se o tal agricultor que você menciona se enquadrar nos critérios do credor, ele não verá problema algum em emprestar. Por outro lado, ninguém em sã consciência vai fiar dinheiro para um agricultor só pelo fato de ele ser um agricultor.
Agora, como é que os bancos vão emprestar barato com as possibilidades de inadimplência aumentando?
Os bancos estão mais do que certos em refrear o crédito nesse cenário. Por sinal, tivessem agido assim durante toda a década e não teria ocorrido a atual crise.
Crédito em excesso sem a devida avaliação da capacidade de quitação foi o que fez com que tanto dinheiro tenha sido direcionado para projetos imbecis (os mesmos que estão sendo destruídos agora por absoluta overcapacity ou ineficiência).
5. Quais foram as suas fontes de consulta?
Nas que li (Rothard, Shlaes, Minsky, Simons, Koo) não vi diferença alguma entre o atual experimento e o Japão de 1990 e os EUA de 29. Bem pelo contrário, a burrocracia está agindo de modo muito parecido (se não exatamente igual nos atos, mantendo a mesma essência).
E também gostaria de saber quais fontes não falam em depressão, pois onde li tal opinião foi apenas em jornais e revistas (os mesmos que aqui em casa só servem para aparar o xixi do cachorro hehe).
Sds!
1. Retorno garantido existe? No meu entendimento o governo esta pagando um preço alto com dinheiro dos contribuintes pra evitar que a economia entre em depressão. Se vai entrar ou não, vamos ver nos proximos anos.
2.Samuel, só pra esclarecer eu não sou a favor de tudo,100% do que tem sido feito sem tirar nem por.. tem muita coisa errada sim. O livre mercado funciona como oferta e procura bem como vc colocou, só que o que estamos vendo, é justamente uma crise causada por um livre mercado com regras frouxas… eu acredito que a coisa vá se ajustar sim mesmo se não houvesse intervenção alguma. O ponto central é em quanto tempo… meu sentimento é que levaria décadas.. você ja acha que as medidas tomadas atualmente é que vão causar um estrago que só se arrumará em décadas. Por mais gracinhas que se faça, Só vamos saber no futuro.
3.Me referia àquele periodo que a liquidez secou totalmente e o FED injetou liquidez.
4.”Se o tal agricultor que você menciona se enquadrar nos critérios do credor, ele não verá problema algum em emprestar.” Em uma situação normal de crédito sim, em secura de liquidez ja são outros 500, concorda? O restante do seu comentario concordo plenamente.
5.Da depressão,Kirkendall, Rothbard, McElvaine, um material de harvard ou oxford não lembro. Mais alguns dados históricos que, quando colocados lado a lado (money supply, desemprego, etc) mostram que, atualmente não estamos direcionando para uma situação semelhante. Uma nova, talvez…
Sds
1. Como não houve o repasse dos recursos via empréstimos para o setor produtivo é seguro afirmar que o governo, através de agentes que são ou foram diretamente ligados ao setor bancário, está doando dinheiro do contribuinte para alguns agentes do próprio setor bancário para evitar que eles sofram as conseqüências das decisões imbecis que tiveram.
E essa proteção irá alimentar a ocorrência de uma crise igual em essência em um período que não irá ultrapassar 10 anos de agora.
Há praticamente mil bancos no sistema bancário americano, não vejo justificativas para ajudar uma dezena deles em detrimento do restante.
Além disso, quanto mais rápido os players quebrados forem removidos do sistema mais rapidamente os agentes saudáveis que sobrarem poderão competir pelo mercado de crédito que irá continuar existindo.
2. Minha posição pessoal é bastante diferente, então prefiro debater os fatos.
hehe
3. FED não injeta liquidez, FED empresta dinheiro. O que eles fizeram foi ampliar a gama de colaterais, só isso.
E isso não fez patavina para aumentar o fluxo de crédito no sistema PRIVADO, tanto é que o FED se tornou não o ‘lender of the last resort’, mas sim o de único ‘resort’.
4. Devemos concordar que falar em secura de liquidez com bancos segurando 700 bilhões em excesso de reservas é uma coisa totalmente nonsense.
Agora se falarmos em secura de solvência, aí eu até posso concordar.
5. O balanço do FED triplicou por 5 entre 29 e 32, o money supply real variou acima de 10% no mesmo período, o governo criou uma entidade (depois outras) para comprar a podridão do sistema.
A taxa de desemprego real (aquela que conta todas as pessoas que os números oficiais pararam de contar) hoje bate acima de 15% e deverá aumentar mais até o final do ano.
Logo, não vejo diferança alguma.
Sds!
Samuel, ja que vc fez um ‘split’ na resposta eu vou fazer um ‘inplit’ agora hehehe.. vamos lá..
Pelo que eu entendi, você é um crítico feroz não só da irresponsabilidade do que tem sido praticado em termos de alavancagem, credito podre e tudo mais,(oque eu concordo 200%) como também do que tem sido feito dado como solução pelos governantes, secretarios e autoridades dos FED, até o momento, correto? A sua solução seria deixar quebrar tudo que ta mal das pernas e o sistema se refaz, é isso? Me corrija se eu estiver interpretando errado. Isso parece bastante lógico por um lado, mas por outro vc está confiando que não haveria pânico, bank-run e ainda mais desconfiança. E não estou falando desses mini-bank run que tivemos no apice.. to falando de massive bank runs. E aí como é que fica os outros bancos que sobraram depois dos bancos quebrados? É justamente isso quem e deixa com a pulga atrás do orelha porque vc coloca as coisas de uma forma que deixa a entender ( e me corrija novamente se estiver errado) que vc tem certeza que essa solução q vc defende daria certo… E ninguém pode ter certeza que dará certo nem isso e nem esse plano que está sendo executado. E por fim, se é pra tirar numero obscuro da cartola (taxa de desemprego real) seria bom usar um numero igualmente obscuro da Grande Depressão pra comparar
Sds!
Sem problemas com splits ou inplits, Mario, hehe.
Seguinte:
1. A irresponsabilidade existiu porque os banqueiros souberam que o Estado ia intervir e financiar a bronca. Tal qual ocorreu em pelo menos 3 vezes nos últimos 30 anos, o boom foi deles e a crise foi do contribuinte.
Enquanto não houver uma saída que responsabilize eles diretamente, tanto no controle dos bancos, quando no bolso, vamos continuar debatendo quem está certo e quem está errado a cada 10 anos, enquanto eles levam a grana e ficam rindo de nós.
2. Não acho que o Estado tem que deixar quebrar, assim como não acho que o estado tenha que se meter no livre mercado.
O papel do Estado nesse caso deveria ser gerenciar a massa falida de acordo com os interesses do contribuinte (vide exemplo Sueco) e não de acordo com os interésses dos banqueiros. Além disso, deveria punir criminalmente os envolvidos. Porém, os causadores da bagunça constantemente têm sido chamados para os altos cargos do governo.
Como eu referi antes, há praticamente mil bancos americanos, e os encrencados agora não passam de algumas dezenas. O mais óbvio é retirar os quebrados de circulação e forçar a consolidação nos que estão bem, e não o contrário – como estão fazendo, forçando a consolidação entre falidos e quebrados.
Garantindo os depósitos não vai haver bank run, e o custo será bem mais baixo do que simplesmente pagar o que os banqueiros pedem (vide exemplo do Paulson, que gastou 120 bi em ações que valiam 70).
3. Não tenho certeza alguma de que o modelo alternativo daria certo. Porém, historicamente ele é mais sensato. O Japão quis ‘esconder’ a podridão dos bancos e com isso ganhou mais de uma década de estagnação.
Porém, não entendo como alguém pode defender o que o FED e o Tesouro estão fazendo, que nada mais é do que jogar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim, uma vez atrás da outra, e achar que isso vai funcionar.
4. O dado de desemprego não é nem um pouco ‘obscuro’. Talvez seja obscuro para quem não acompanha os relatórios do BLS e prefira ouvir o que dizem no Conta Corrente.
hehe
Se você procurar na tabela de dados oficial, veja o relatório U6.
O número oficial, debatido na imprensa semi-estatizada, não conta desempregados que ‘pararam de procurar emprego’, por exemplo, e nem desempregados que estejam fora do mercado depois de determinado período de tempo. Essas pessoas vão parar no U6. Que, por sinal, é como mediam o desemprego na época da Grande Depressão.
Samuel, veja, vc diz:
“Enquanto não houver uma saída que responsabilize eles diretamente, tanto no controle dos bancos, quando no bolso, vamos continuar debatendo quem está certo e quem está errado a cada 10 anos, enquanto eles levam a grana e ficam rindo de nós.”
Concordo com isso. Mas depois vc fala
“Não acho que o Estado tem que deixar quebrar, assim como não acho que o estado tenha que se meter no livre mercado.”
Vc podia explicar melhor essa contradição? Realmente fiquei na dúvida.
Quanto a historicamente ser mais sensato, e a Grande Depressão, vc certamente ja deve ter visto essa comparação da CNNMoney
http://money.cnn.com/news/storysupplement/economy/recession_depression/
Estes dados estão incorretos? Se estão, poderia citar a fonte correta?
Outra coisa, o relatorio do BLS que vc cita: Eu na minha avaliação, considero somente o unemployment rate oficial, que é de 8.5% em Março.
O U6 soma todos os “U”s anteriores, juntando até gente que está trabalhando meio período… pra mim, quem está trabalhando meio período ou “à margem”, não está desempregado. Mesmo considerando o U6, estamos consideravelmente abaixo da Grande Depressão. Estamos subindo rapido, é verdade mas não “fiquemos aflitos”… como eu disse antes, os proximos anos veremos se chegaremos lá ou não.
Sds!
É simples, Mario. Não há contradição.
Não acho que seja trabalho do Estado impulsionar negócios, assim como não acho que seja tarefa destruí-los (embora burocratas façam isso o tempo todo).
Por outro lado, vivemos sob leis. E responsabilizar criminalmente os envolvidos nesses golpes que depois são chamados de ‘crises’ é dever das autoridades. Contudo, como referi antes, os envolvidos estão sendo premiados com cargos na própria administração pública.
A comparação da CNN é muito simplista para mim. Há outros importantes indicadores que eles não mencionam.
Sobre os dados do BLS: os dados de emprego de meio período indicam pessoas que gostariam de trabalhar full time, mas não conseguem. Não chega a ser desemprego per se, mas é claramente um subemprego.
O dado oficial de 8,5% é uma aberração estatística, qualquer pessoa que tenha estudado um mínimo sobre o assunto irá perceber.
Sds!
Só pra explicar oque quis dizer com clarificação (relendo o post parece que eu não li oque vc escreveu mais abaixo), quis dizer “como implementar o tal modelo sueco se isto é justamente uma intervenção”?
Eu acho claramente que o assunto está perdendo o foco e agora que tu não encontraste argumentos para defender a posição de que as ações do FED possuem funcionalidade (pois não possuem), está tentando pinçar comparações de maçãs de agora com bananas da grande depressão ou então levar o assunto para coisas que eu disse e tentar colocá-las em aparente contradição.
hehe
Fui bem claro em propor um modelo alternativo aos bailouts intermináveis e sem punição aos envolvidos, contudo, agora você está confundindo as coisas com uma lógica circular.
Então, como o debate está se estendendo e alguns pontos já viraram repetitivos, quero trazer o questionamento inicial de volta. Para tal, sugiro que mantenha o seguinte quadro em vista:
Improving Metrics (Good Signs)
Credit Default Swap Spreads
LIBOR – OIS Spread
TED Spread
Worsening Metrics (Bad Signs)
Mortgage Foreclosures / Defaults / Delinquencies
Corporate Bond Spreads
Housing Prices
Commercial Real Estate Commitments
Commercial Paper Outstanding
Security Repurchase Agreements
Household / Business Debt Growth
Overall Loan Originations
Overall Loan Balances
Mortgage Rate Spread
Mortgage Originations
Como se vê, será impossível manter a opinião de que o FED e o Tesouro agiram corretamente enquanto o quadro acima não se alterar drasticamente.
E se considerarmos que gastaram uma fortuna nababesca – que provavelvemente só será paga em uma ou duas gerações – podemos até afirmar sem medo que eles falharam miseravelmente.
Por outro lado, o teu argumento básico de que ‘ruim com eles, pior sem eles’ só consegue me remeter a dois temas muito simples: o FED age com e pelo medo e com e pela esperança. Medo do que poderá acontecer se não concordarmos com as exigências dos bandidos banqueiros, e esperança de que concordando com a patifaria a bolha de crédito volte a ser inflada (mesmo estando o nível de crédito em relação ao PIB em níveis imprecedentes, querem nos fazer que mais crédito é necessário).
Além disso, em tempos de crise nem o medo e nem a esperança são bons conselheiros.
As autoridades deviam estar fazendo o que fizemos aqui, avaliando episódios anteriores e pesando prós e contras.
Contudo, em nome do medo e da esperança, atropelaram toda e qualquer razão e entraram em um típico tilt mode de poker: vamos distribuir apostas, cada vez maiores, na esperança de que em alguma delas a gente acerte a mão.
Então, para finalizar, te digo que enquanto o cenário acima não se alterar e não vermos mudanças duradouras e espontâneas no mercado de crédito, o FED e o Tesouro continuarão falhando.
E não há nada que tu possas fazer para provar o contrário. hehehe
Sds!
Samuel
A funcionalidade que eu me refiro é de evitar uma Depressão econômica… não estou fazendo conjectura nenhuma sobre o futuro de modo a afirmar que o resultado das ações do FED não vão causar uma bolha mais na frente ou um período de estagnação ou que eles tomaram a melhor medida possível. Quanto a pinçar comparação com maçã e banana, na minha opinião é comparar o U6 com a taxa da crise de 29 mas td bem, não concordo com sua metodologia de analise neste ponto, pessoalmente acho forçado mas respeito sua opinião então não vou me alongar mais nisso.
Quanto ao quadro alterar drasticamente, eu concordo contigo… só que afirmar que falharam miseravelmente eu acho precoce afirmar isso agora sendo que boa parte dos dados ainda se encontra no futuro. O FED pode agir por medo sim, mas esperança de que outra bolha se infle novamente, não sei se procede. Prefiro não opinar sobre isso pois é especulação pura e não sabemos como o FED vai reagir com oque vem por aí.
–”Contudo, em nome do medo e da esperança, atropelaram toda e qualquer razão e entraram em um típico tilt mode de poker: vamos distribuir apostas, cada vez maiores, na esperança de que em alguma delas a gente acerte a mão.”–
Pelo menos eles tem bastante ficha! hahhahah… essa foi pra descontrair
—”Então, para finalizar, te digo que enquanto o cenário acima não se alterar e não vermos mudanças duradouras e espontâneas no mercado de crédito, o FED e o Tesouro continuarão falhando.
E não há nada que tu possas fazer para provar o contrário. hehehe”—
Concordo que não há nada que eu possa fazer pra provar o contrário, mas porque temos metodologias de análises diferentes. Eu não consigo ver um unico objetivo simples em meio a um problema dessa magnitude e complexidade. No meu entendimento o primeiro movimento do FED foi evitar um principio de Depressão… usando indicadores oficiais como aqueles mostrados no CNN Money, vemos claramente que as situações são diferentes. Não quero dizer com isso que o FED fez tudo certinho e que esse bail out não vai ter consequencias,.. longe disso. Só que no máximo eu digo “vai dar merda mais na frente”… sem ficar tacando pedra antes de ver oque vai acontecer.
Sds!
Sorry, man, mas não posso concordar com ‘planos’ que envolvem doar dinheiro aos causadores da ‘crise’, sem que nenhum dos culpados sejam punidos.
Ainda mais quando os mesmos ‘planos’ não demonstram nenhuma eficácia prática.
Uma coisa é certa, se os culpados de colarinho branco não forem punidos, os culpados pé de chinelo que tomaram empréstimo certamente serão… mesmo os que não fizeram nada de errado. No entanto eu não vejo ninguém malhando esses tomadores.. afinal é mais facil xingar meia duzia que uma multidão inteira
Mas viver em sociedade é isso, não é? Aqui no Brasil, cidadãos ignorantes elegem os deputados e senadores que temos em Brasilia e resultado é oque vemos por aí.
Sds
Se este STRESS TEST foi tão bom, como estão divulgando, então está na hora de MARCAR A MERCADO todos os DERIVATIVOS e Títulos PODRES dos bancos, correto?
Se a resposta for NÃO, então o teste não vale nada. simples assim.
Pô, a razão pela qual estão bem é justamente porque a FASB anulou a marcação a mercado, aí tu queres acabar com a festa?
haha
No más, concordo plenamente: esses “testes” são puro diversionismo.